12 de setembro de 2008
A Obviedade da Excelência
A arte tem tudo a ver com gestão!
Compartilho com vocês este texto que, há algum tempo, recebi do Prof. Vicente Falconi Campos, uma das maiores autoridades mundiais em gestão empresarial.
A Obviedade da Excelência
Há alguns anos atrás não havia televisão e uma das formas de diversão popular era o circo. Quem de nós, mais velhos, já não foi várias vezes a um circo?
Com o advento da televisão o negócio de circo perdeu importância e mesmo aqueles grandes e tradicionais circos internacionais não suportaram a crise e desapareceram. Numa situação como esta quem investiria em circo?
Recentemente alguém acreditou que, se fizesse algo excelente e extraordinário, o negócio poderia voltar a ser bom. Foi então montado o Cirque du Soleil. Quem já viu, mesmo que parte das apresentações ficou admirado. Tudo é perfeito: a apresentação, o figurino, a coreografia, a iluminação, a expressão facial dos figurantes, etc. Quando se quer fazer algo excelente não existe meio-termo: ou é tudo ou não é nada. Se quisermos fazer algo admirável temos que ser impiedosos e não deixar espaço para aquilo que é feito de forma imperfeita, desleixada ou preguiçosa.
Mas o que é a excelência? Creio que é a transformação daquilo que se está fazendo numa obra de arte. Ninguém mais queria ir a um circo. No entanto ao Cirque du Soleil todos querem ir porque alí temos uma obra de arte ao vivo (em São Paulo mais de 100.000 pessoas assistiram e em Buenos Aires deu até confusão na venda de ingressos de 100 dólares!!!). Podemos transformar numa obra de arte tudo aquilo em que colocamos a mão, vai depender de nossa atitude e de nossa vontade de sentir aquela imensa alegria íntima de chegar ao final da obra e exclamar: valeu!
Infelizmente a maioria de nós executa as suas tarefas diárias “para se ver livre delas” e o resultado nunca será excelente. Não tem jeito! Para você fazer algo admirável dá trabalho, exige reflexão, dedicação, às vezes muito suor! Porque será que um alpinista entrega a sua vida para escalar o Monte Everest sem a ajuda de oxigênio? Porque com oxigênio não seria excelente, seria comum! Este envolvimento espiritual com o que se faz é para poucos neste mundo, mas são os poucos que fazem toda a diferença e deixam um legado para seus semelhantes.
Para fazer a excelência é necessário amar o que se faz e ter como agenda única sentir o prazer de ver a obra acabada e constatar a admiração de seus semelhantes. O resto, que por vezes pode parecer mais importante, virá como conseqüência.
A excelência é, usando a expressão máxima do dramaturgo Nelson Rodrigues, de um óbvio ululante. É isto mesmo, geralmente o óbvio grita, uiva, produzindo um som plangente e nós não o ouvimos!
Aloysio Carvalho-aloysiocarvalho@yahoo.com.br
criado por clorindo.valadares
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